Maybe I’ll live so long that I’ll forget her. Maybe I’ll die trying.

Comprei, já bastante tarde, um filme do Orson Welles, The Lady from Shangai. O único filme que já havia assistido dele foi Citizen Kane, mas este fica para outro post. Na mesma semana que comprei o filme, fiz um video do Dayloggers a seu respeito, convidando os assistintes a verem o filme comigo, já que eu ainda não o havia visto por inteiro. Sempre assistia pedaços, no TCM, mas acabava me distraindo com outras coisas ou dormindo. Não me leve a mal, o filme não é ruim nem nada, mas às vezes, como o próprio Michael O’Hara (personagem de Orson Welles) diz no filme, a gente se perde nas coisas que não nos fazem bem e deixamos de lado as boas coisas.
O que importa é que eu o comprei e sexta-feira coloquei-o para assistir, com direito a sopa de cebola. E valeu muito a pena gastar minha sopa de cebola com este filme. A narração extremamente espectacular de Michael O’Hara (Orson Welles) com aquele tom único e sotaque Irish/Scotch é ferozmente magnífico, penetrante e irritante ao mesmo tempo. Uma ótima combinação, diga-se de passagem.
Tem algo na voz de Orson Welles que me fascina muito mais do que sua própria atuação. Entretanto, o filme não está na minha “videoteca” somente por causa do Orson, mas também pela lindíssima e cativante Rita Hayworth. Algumas atuavam que nem ela e até melhor, mas era sua atuação corporal que cria uma presença irritante de tão boa na tela. Nesse filme, seu rosto, seu corpo, sua voz não poderia ter combinado mais com a sua personagem Mrs. Elsa ‘Rosalie’ Bannister, uma mulher que não tinha muitas características e estilo de vida de uma Lady, mas também não deixava de ser uma. Vou ser bem sincera, fiquei a maior parte do tempo olhando fixamente suas mãos, eram lindas, pensava o tempo todo como ela fazia para manter as unhas tão bem feitas.
O melhor do filme, vem numa cena em que Michael conta uma pequena história para seus patrões Arthur Bannister e Mrs. Elsa ‘Rosalie’ Bannister e o amigo deles George Grisby (nojento diga-se de passagem) a beira do mar, num dos “picnics” extravagantes que Mr. Bannister decidia fazer. Imagine tudo isso num sotaque Irish/Scotch:
Michael O’Hara: Once, off the hump of Brazil I saw the ocean so darkened with blood it was black and the sun fainting away over the lip of the sky. We’d put in at Fortaleza, and a few of us had lines out for a bit of idle fishing. It was me had the first strike. A shark it was. Then there was another, and another shark again, ‘till all about, the sea was made of sharks and more sharks still, and no water at all. My shark had torn himself from the hook, and the scent, or maybe the stain it was, and him bleeding his life away drove the rest of them mad. Then the beasts to to eating each other. In their frenzy, they ate at themselves. You could feel the lust of murder like a wind stinging your eyes, and you could smell the death, reeking up out of the sea. I never saw anything worse… until this little picnic tonight. And you know, there wasn’t one of them sharks in the whole crazy pack that survived.
Perfect! Uma das melhores cenas que já presenciei no cinema. Resume de forma belíssima a história, bastante atípica, deste filme.
That’s all galerinha do mal, até o próximo filme.